Mudei. Mudei a rotina, os hábitos e espero que, esse caminho não mude. Aliás, não há outro. Tenho quinhentas páginas de livros para ler, por opção, com o propósito de ocupar a cabeça de qualquer pensamento que me faça doer o estômago e despertar as borboletas. Queria um diferente dessa ficções, que levam à outros mundos etc e tal. Eu quero me espelhar, quero me identificar com algo que eu esteja lendo, e disto pegar como exemplo. Algo que conte a minha história, a situação, quero ler sobre pessoas que passaram pelo mesmo que estou passando, quero páginas que retratem uma vida de uma menina de dezessete anos, com suas decepções amorosas, erros, arrependimentos, duvidas, vontades, saudades. Mas creio que este, eu mesmo terei de fazê-lo, aliás quem melhor poderia escrever este livro, senão eu? O difícil de transmitir em palavras, é, sem dúvida, aquela sensação de estar diante do espelho, conformar-se, e exprimir as idéias para que as palavras sejam tão trágicas como é na vida real. Na minha vida real. E, não queria deixar de dizer das palavras, as quais o meu celular não recebe mais tantas, de você, quanto as minhas amigas recebem, de você. Como por exemplo, é mais interessante para você saber o que as minhas amigas estão fazendo, do que a mim. E sem querer, também de repente, me vem aquela frase que uma vez você me disse à uma de suas amigas: “Quando chegar o fim do ano, eu vou fazer de tudo para não me afastar dela”. Bom, talvez você tenha se esquecido de cumprir, ou ao menos não te faz tanta diferença, porque não faz mesmo. E se caso você falou da boca pra fora e a intenção, na verdade, é fazer o contrário do que foi dito: Parabéns, você está indo muito bem.
Você aparece nas minhas discografias preferidas, entre Los Hermanos, Jack Johnson ‘better together’, entre outro reggaes e se esconde no meio da letra da música “Sei” do Nando Reis. Você circula pelos rostos de desconhecidos nas esquinas em que eu viro. E tem mania de se disfarçar nas gargalhadas alheias. Você finge que vai embora, que se mandou de vez, e aí aparece na minha memória no meio de um encontro, só para me lembrar que nenhum outro consegue provocar o mesmo efeito que você.
Você se agarra em meus textos, só para impedir que qualquer outro vire protagonista de minhas histórias. Você abraça todas as músicas preferidas, só para eu me lembrar de você em cada suspiro dos meus cantores preferidos. Você está por perto quando eu vou sair, quando eu assisto as novelas nos relacionando a cada personagem e quando coloco a cabeça no travesseiro e faço um esforço tremendo para não me lembrar mais de você.
Aliás, fazer um esforço tremendo para te esquecer é tudo o que eu tenho feito nesses últimos dias. Mas você nem precisa se esforçar para me fazer lembrar. Eu te enxergo na nuca do meu vizinho pirralho. A parte de trás do cabelo dele tem o mesmo corte que o seu. Eu te escuto na ligação que minhas amigas recebe do namorado, porque eu só consigo pensar que eu queria que você me ligasse também. Eu vejo seu olhar de decepção no meio da mensagem que recebo do carinha com quem eu ando saindo, só para me provar que meu coração não tem dono. Mas ele tem.
Eu escuto suas broncas quando faço algo errado. E ouço seu riso enquanto assisto os episódios do seu programa humorístico favorito, aos domingos. Eu sinto seu cheiro quando alguém parecido com você passa por mim. Tento desviar os meus traços mas quem ver os papéis sabem que naqueles traços só tem você. Eu tremo inteira quando um número desconhecido começa a me ligar. E quando o Facebook avisa sobre alguma notificação, eu sempre acho que pode ser você tentando me ganhar outra vez.
Mas é no momento em que eu penso em você enquanto cantarolo “Estranho seria se eu não me apaixonasse por você” que eu canso de fugir. Derrubo as minhas próprias barreiras, deixo as paredes que construí em volta do meu coração desmoronarem e, sem defesas, me rendo. É, eu me rendo. Porque te esquecer eu não posso. Então, só me restar te amar escondido. E eu te amo. E me lembrar de esquecer que quem não quer, dessa vez, é você.
Poderia ser a frase de abertura de qualquer atual site de redes sociais. Mas mais do que isso poderia ser a frase que a gente anda colocando como a principal no manual de instruções do que devemos estampar no coração da gente. Estamos lotando nossas falas, textos, fotos e pensamentos de indiretas. É como se a nossa vida virasse uma metáfora para o que sentimentos e por medo e covardia a gente calasse a verdade. Se o amor hoje em dia pudesse ser classificado em uma Era, seria a Era da Indireta. Talvez a Era da Paranóia (o que vão pensar do que eu falar?/será que falaram isso para mim?). É um tempo de amores que terminam antes de começar, porque o outro não nos dá a chance de conhecer quem realmente somos e se o que ele acha que somos não vale a pena, ele acha que não vai dar certo. E, sem conhecer, a gente segue achando sem nunca encontrar. Não adianta falar para o mundo inteiro e esquecer de dizer a quem de fato precisa. Não adianta achar que o outro sabe do que você fala, você não pode oferecer charadas ou adivinhações ao invés de amor e confiança.
Você não tem coragem de dizer a alguém que está apaixonado, pois tem medo de assustar. Não tem problema, algum trecho de música, filme, seriado, novela, livro, poema ou frase de pára-choque de caminhão pode ser publicada na Internet e, pronto, sua paixão está declarada. A saudade aperta e tudo perde um pouco a graça sem alguém ao seu lado. Mas dizer que sente falta pode soar desesperado, imaturo ou humilhante. Então, poucos dizem e muitos compartilham alguma foto em preto e branco e… concluído, já disse ao mundo que está tudo cinza, cinza de saudade. Você erra e para não pedir perdão usa um contato mantido sem qualquer razão como indireta para dizer “me desculpa?”. Você não tem a honestidade suficiente de dizer a alguém que não gostou do físico dela quando a conheceu pessoalmente ou que por qualquer outro motivo não está mais a fim. Ao invés de dizer claramente “não” você usa seu silêncio como indireta. Ou você inventa alguma desculpa, tudo para não assumir que é apenas covarde.
Eu sei, a gente usa indireta para ver se a vida endireita e por mágica fica como a gente quer, a gente usa desculpas para tentar não magoar alguém e ter depois que de fato se desculpar pela dor causada. Eu sei, mas não basta, não basta porque o outro precisa entender. Você pode duvidar, mas distância nem sempre é a indireta perfeita para dizer que não está mais a fim ou para expressar que você foi magoado, da mesma forma estar sempre presente e disposto não é a indireta certeira para afirmar que você ama alguém. Isso tudo é só ter medo e deixar de dizer, é fugir, escolher ter e oferecer dúvidas. E criar um novo problema nunca foi a melhor solução.
No amor, pode não haver tempo. Pode não haver tempo não porque você vai morrer amanhã, mas porque alguém que você ama pode acabar desistindo de viver hoje ao seu lado. Pode não ter mais perdão para suas desculpas, pode não ter mais como endireitar o que você perdeu por tanta indireta. Amor não pode ser algo que se passa somente dentro da sua cabeça e que somente você vai entender. Amor precisa sim ser dito, ser claro ao ponto de quase ser clichê. Eu disse quase. Às vezes as pessoas não estão prontas para ouvir a verdade ou as verdades do que sentimos, mas ainda assim diga e, se preciso, grite.
Digite aqui o você de fato sente por mim, para abrir a porta e poder ficar.
“Sinto muito por sentir demais”
Fazia muito tempo que não dormia tão bem assim, pensou. Levantou-se e percebeu que alguma coisa tinha acontecido. Alguma coisa errada. Se bem que, o errado era tão normal. Ela só sabia que o mundo, aquele dia, tinha acordado diferente. Ela também.
Foi do quarto até a cozinha, ainda com a roupa da noite passada, esqueceu de tirar. Prometeu que ia tomar banho assim que chegasse às 3h da manhã de novo. Mas esqueceu, de novo. Mas tudo bem, por algum motivo (ou o mesmo) insondável, ela conseguiu acordar mais cedo do que aquele seu despertador que ainda não conseguiu quebrar. Então tomaria banho sem ninguém lhe apressando, podendo colocar seus pensamentos no lugar, depois tomaria café e, faculdade.
Em sua casa, tudo estava no lugar. Ninguém tinha anunciado o fim do mundo, assim como ninguém foi abduzido ou coisa assim. Ela se certificou disso. Todos dormiam. A chave, que tinha usado ontem, ainda estava na porta. Mas não era o silêncio que traduzia aquilo que ela sentia. Era paz. Mas não porque não existia barulho. Chegou a pensar que poderia ter sido a quebra do hábito, por ter acordado tão cedo. Mas se fosse por isso, ninguém acordaria tarde. Jamais. Ela só queria entender o que havia de tão diferente e por quê. Se essa sensação fosse uma intuição ou algum pressentimento ruim? “Isso é radar de notícia ruim”, é o que ouvia falar aos montes de amigas e tias consultoras diárias de horóscopo, astrologia e afins. Foi ficando tão confusa que decidiu que assim que saísse do chuveiro, iria procurar dicas esotéricas e acreditar nelas. Mas viu que não sentia angústia, nem tristeza idem. Se fosse pra ter um radar que prevê desastres, que pelo menos ele funcionasse direito.
Terminando de se arrumar, pegou a bolsa e notou que estava leve demais. Carteira. Agenda. Lencinhos de papel. Todos os estojos possíveis, de maquiagem, canetas, escova e pasta de dente. Óculos. Até o lixo que coloca no bolso da frente que esqueceu de jogar fora. Então o que… Ah, o celular. E sem lembrar onde tinha deixado (pra quem esqueceu de tomar banho, não era grande coisa), ligou pra ele. No sofá, perto dos controles de tudo. Tv, DVD, etc. E tentou entender porque ele foi parar ali, geralmente fica carregando. Mas também, estava muito tarde, então vai saber. Checando o celular, viu que ao longo da madrugada, ele chamou quatro vezes. E recebeu uma mensagem. Dele. “Sinto a sua falta. De verdade. Dessa vez, de verdade”.
Fim de jogo. Ela finalmente entendeu o que era aquilo tudo e por quê. Diferente, naquele dia, tinha sido acordar sem sentir pena de si mesma. Bem, tranquila, serena. Sem olheiras e sem rosto pronto pra ser carregado de corretivo para cicatrizes emocionais. Tinha sido diferente ir dormir sem tomar banho, porque mesmo em dia de semana, ela foi a uma festa e chegou cansada. E não porque tinha perdido a vontade de fazer qualquer coisa que seja. Foi diferente porque ela conseguiu acordar cedo, sem dor nas costas, sem estar cansada, sem preocupação, e com fome. Diferente porque ela não se preocupou com ligações, nem as dele, já que não colocou o celular embaixo do travesseiro, nem pra carregar. Diferente porque ela nem lembra mais do motivo que a faz se sentir diferente. Ela se sente assim, porque ela é assim. Diferente. Ele, o mesmo. Idiota. Que já foi. Answer call nunca mais. Passado. Passou. De verdade. Dessa vez, de verdade.
Se eu partisse amanhã
Você ainda se lembraria de mim?
Pois eu devo seguir viagem, agora
Pois há muitos lugares que eu preciso ver
Mas, se eu ficasse aqui com você, garota
As coisas simplesmente não seriam iguais
Pois eu sou tão livre quanto um pássaro agora
E este pássaro você não pode mudar
E este pássaro você não pode mudar
E este pássaro você não pode mudar
O Senhor sabe, eu não consigo mudar
Até logo, foi um amor bom
Embora este sentimento eu não possa mudar
Mas por favor, não leve muito a mal
Pois o Senhor sabe que eu sou o culpado
Mas, se eu ficasse aqui com você, garota
As coisas simplesmente não seriam iguais
Pois eu sou tão livre quanto um pássaro agora
E este pássaro você nunca mudará
E este pássaro você não pode mudar
E este pássaro você não pode mudar
O Senhor sabe, eu não consigo mudar
Senhor me ajude, eu não consigo mudar
Senhor, eu não consigo mudar…
Não voe tão alto pássaro livre…
Criou asas e voou,
Menina cheia de si,
foi atrás de viver,
nem que fosse para ver,
com quantas letras se escreve um poema ,
de amor.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim.
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.